Jumilla é um dos lugares por excelência onde se encontram adegas e vinhas famosas em todo o território nacional e internacional. Neste artigo conhecerá um pouco mais sobre as suas origens e a história do vinho.
Introdução e contexto histórico
A elaboração e o consumo de vinho em território espanhol é uma tradição muito antiga, influenciada em parte pelos fenícios, uma antiga civilização que se situava ao longo da costa mediterrânica.
Com o tempo, esta bebida extraída da videira tornou-se típica na península. Era utilizada como bebida principal em rituais, banquetes e celebrações em geral.
Mais tarde, os romanos invadiram o território de Jumilla, repartindo os diferentes territórios e os escravos. Isto deu um estilo de vida mais rústico: centravam-se no cultivo da tríade mediterrânica, na exploração do esparto, em cultivos de regadio, além da criação de gado.
Lamentavelmente, não há dados importantes desta comarca na época medieval e cristã. Depois destas etapas encontram-se achados que indicam o uso do vinho em Orósio e São Isidoro.
Encontram-se notícias no século XVI de produção de vinho e cultivo da videira em Jumilla, nas Relaciones Topográficas de Filipe II, que datam de 1579.
Nas respostas de Hellín de 1575, na cidade próxima de Yecla, fala-se da importação de vinhos de portos próximos e da vinha como um produto abundante nas zonas próximas, isto é, outros municípios da D.O. Jumilla. Tudo isto demonstra que, para a época, os povos vizinhos reconheciam o cultivo da videira e a abundância do vinho em Jumilla.
Textos do rei Filipe III que datam de 1599 fazem referência à confraria dedicada ao cuidado dos vinhateiros. Do século XVI também se achou uma ordenança em que se proibia à população deixar entrar o gado nas vinhas até passarem quatro dias do momento da vindima, pois as uvas vindimadas deixavam-se ao sol na parcela para ganharem graduação; esta ordem aplicava-se durante todo o ano e manteve-se até ao século XIX.
Em 1667 documenta-se pela primeira vez que a comarca de Jumilla pagou um imposto sobre o vinho. Segundo atas encontradas no arquivo da Catedral de Múrcia, aplicou-se o imposto devido ao considerável aumento da produção e exportação do vinho. Estima-se que nessa altura cerca de 75% do cultivo de videira dos sete povos da D.O. Jumilla era de regadio. Já no ano de 1755, segundo estudos, crê-se que Jumilla contava com aproximadamente 335 hectares de vinha, centralizadas no que atualmente é El Prado.
A produção de vinho cresceu no século seguinte. Um texto no Diccionario Geográfico Estadístico de P. Madoz de 1850 afirma que se produzia em Jumilla umas 15.000 arrobas de vinho de um excelente aroma e grande qualidade, graças a um aumento de até 500 hectares de superfície de vinha.
Em 1877 os vinhos de Jumilla foram ganhando fama até ao ponto de serem levados à Exposición Vinícola Nacional que se celebrou em Madrid. Nesse momento mais de metade do território cultivável do município dedicava-se à videira, o que representa cerca de 1500 hectares.
Apesar dos problemas das vinhas nos primeiros anos do século XX, o crescimento da cultura vinícola não se deteve, ganhando um prestígio internacional graças à qualidade das suas produções. Atualmente, toda a província de Múrcia dedica umas 10.837 hectares ao cultivo da vinha, sendo uma região que se destaca a nível mundial pela produção desta bebida alcoólica.
Esperamos, com esta pequena introdução à história desta região vinícola, despertar o interesse dos aficionados do vinho em visitar e desfrutar da experiência que Jumilla oferece ao consumidor e ao viajante.
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